domingo, 17 de fevereiro de 2013

MOCIDADE PORTUGUESA-DISTINTIVO DE PLANADORES

DOCUMENTO PERTENCENTE A UM FILIADO DA MOCIDADE PORTUGUESA


FILIADO DA MP-ALEMANHA SETEMBRO 1943






Chegou a vez da Mocidade Portuguesa...já algum tempo que não publicava nada sobre a Mocidade Portuguesa.

Hoje vou inserir o distintivo da Mocidade Portuguesa de "PAIRADOR"...vulgarmente chamado planadores.

Em 1934, antes da criação da Mocidade Portuguesa, já existiam alguns Portugueses que se dedicavam ao voo sem motor.Foi o caso do Engº Varela Cid, que criou o primeiro planador, tendo sido pilotado pelo Tenente Aviador Paulo Viana.

                                        DISTINTIVO FILIADO MOCIDADE PORTUGUESA



O mesmo Varela Cid, meses mais tarde, a convite do AeCP, proferiu uma conferência na Sociedade de Geografia em Lisboa, defendendo de forma decidida a criação de escolas de voo sem motor, onde, além da construção de planadores e do ensino do voo, pudesse haver um rigoroso ensino teórico.
O salto seguinte dá-se na Figueira da Foz, em 1935: o Tenente Meneses e Alberto Sotto Mayor, mais ajudantes, constroem, em apenas três meses, um planador Sablier 10 (um monoplano com 10m de envergadura, asa com corda de 1,4m, e 75 kg de peso), com o qual fazem diversos voos por reboque auto.
Ainda no mesmo ano (1935) a convite directo do AeCP (feito através do seu Vice-presidente
Pinheiro Corrêa) uma elegante e franzina jovem alemã, já famosa pelos seus feitos aeronáuticos
no voo à vela, a indomável Hanna Reitsch (colaboradora do Professor Georgii e aluna do famosíssimo Wolf Hirth), visita Portugal. Reitsch, juntamente com os seus camaradas Hans Fischer e Oeltzschner, participam no "Meeting Internacional de Aviação”, da Amadora, onde fizeram “demonstrações admiráveis”. Pouco antes de partir, Hanna Reitsch, proferiu uma conferência sobre o Voo à Vela na Legação da Alemanha em Lisboa.



                                                             HANNA REITSCH
Com apoio do regime Nazi, com o qual Portugal tinha excelentes relações, convida para vir a Portugal – para proferir conferências e aconselhar a organização que se preparava -uma personagem mítica do Voo à Vela internacional o Professor Walter Georgii, homem forte da poderosa DFS -
Deutsche Forschungsanstalt fur Segelflug, e director do célebre Instituto de Darmstadt (uma das
profícuas Akafliegs, que hoje preparam os jovens engenheiros aeronáuticos alemães, fazendo-os os mais “práticos” do mundo), Georgii - já célebre mundialmente pela sua investigação em voo à vela e por ter aberto o caminho para o voo térmico -, profere em 13 de Fevereiro de 1937 no Teatro Nacional em Lisboa uma conferência e mostrou diversos filmes com voo de planadores, que deixou
entusiasmadíssimo o vasto auditório cheio de rapazes da Mocidade Portuguesa, de representantes da Aeronáutica Militar e de outros convidados.Pouco depois, em 13 de Setembro de 1937,com o apoio da Alemanha e com material aéreo adquirido pelo Estado Português, adquirindo o melhor planador bilugar do mundo ao tempo: o Kranich I, inicia-se assim no Grupo de Aviação da Amadora
o primeiro curso “de voo à vela”.
Registe-se a sofisticação desta iniciativa, num tempo em que no resto do mundo se aprendia a
voar de “pairador” lançando os alunos em encostas com planadores monolugares de
escola, do tipo Zogling, Grunau ou, mais tarde do famoso Schulgleiter.





Em Setembro de 1937,foi introduzido na Mocidade Portuguesa o voo em planador.Este tipo de voo já era utilizado primeiramente pelos Fascistas Italianos,(jovens Ballilas) e mais tarde pelas Juventudes Hitlerianas.Os mais habilitados ao voo de planadores, seriam mais tarde alguns deles os futuros pilotos de combate aéreo, dos Fiat, dos Stukas, ou dos Messerchmidt.

Esta iniciativa da Mocidade Portuguesa, foi sem dúvida também inspirada e apoiada pelo seu Comissário Nacional, Nobre Guedes, germanófilo assumido.Não é pois para admirar que esta iniciativa, contasse logo com o apoio da "Hitlerjugend".


 1938 Elementos da MP na Alemanha.Saliento os distintivos de voo sem motor, colocados por cima do bolso esquerdo dos filiados.Certamente de fabrico alemão.





No aérodromo da Amadora 12, os membros mais experimentados da Mocidade Portuguesa tiveram a sua primeira formação.Todas as tardes os monitores Alemães da esquadrilha, Karl Bauer e Hans Scholz, iniciaram os alunos nos segredos do voo sem motor.
Para tal, a Mocidade Portuguesa dispôs de um aparelho.A 14 de Outubro de 1937, o ministro Alemão, Von Hoyningen-Huene, assistiu em Alverca, perto de Lisboa, ao primeiro campeonato de voo sem motor, que contou com a assistência técnica de um perito alemão.A 9 de Setembro de 1939, a Mocidade Portuguesa foi presenteada com quatro modernos planadores para reforço da sua esquadrilha.






Contrata-se como primeiro instrutor deste pioneiro curso o excelente piloto Eng. Karl Baur
com longa experiência e que anteriormente tinha ajudado a fundar as bases do voo á vela no Japão (Bauer será depois substituído pelo Capitão Quintino da Costa, por acordo com o AeCP).
Baur, teve como ajudante Hanz Stolz, e tomou a seu cargo a formação de dez alunos. Deu-lhes
cortês acolhimento (a Baur e aos alunos), emais uma vez, Pinheiro Corrêa, ao tempo com
funções de comando na Amadora. Seguiu-se pouco depois a visita de Hartman Lauterbacher,
lugar-tenente de Von Shirach ao tempo o Chefe das Juventudes Alemãs convite recíproco, oferecido pela Alemanha, para se deslocar a esse país uma missão da Mocidade Portuguesa - que Delgado anunciou pretender chefiar -, para um estágio de instrução de “voo à vela” (previsto para Agosto,
ou Setembro, de 1938).
Foi assim que, sob o lema “Conquistemos os céus"e sempre em estreita ligação com Alemanha Hitleriana, se começou a desenhar o nosso primeiro centro especializado para formação em voo à vela, primeiro na Amadora mas por muito pouco tempo, deslocando-se posteriormente para as encostas do Algueirão, onde funcionou a efémera Escola Bartolomeu de Gusmão, ensinando o voo e a construcção de planadores.



                              BIVAQUE MOCIDADE PORTUGUESA MODELO 1936-1940



Quintino da Costa, nomeado Tenente da Mocidade Portuguesa, tornou-se o primeiro grande divulgador do voo sem motor, e realça o entusiasmo que levou duzentos candidatos a concorreram para o primeiro “curso de aviação sem motor” e de como os instrutores alemães escolheram 14 dos candidatos mais velhos, para o iniciarem em 13 de Setembro de 1937


Em vez do “voo à vela” de Delgado (veja-se a RA, nº9, Junho, ano 1, 1938, pp 10-11) Quintino

utiliza um léxico menos ambicioso, fala-nos da aviação sem motor, de “voo sem motor”, ou
“avião sem motor” e …. de “pairador”!






A RA 11 (Agosto de 1938) divulga a partida para a Alemanha do Tenente Quintino da Costa e de
mais três graduados da Mocidade Portuguesa para frequentarem o curso de Instrutores de voo à vela.

A formação de Voo à Vela que se inicia com o regresso desses pioneiros consistia em: obter o
Brevet A, exigindo a realização de pelo menos três voos em linha recta, mantendo o rumo, com
mais de 30 segundos de duração; o Brevet B, que consistia em pelo menos cinco voos com
uma duração mínima de 60 segundos, com voltas à direita e à esquerda e em S (e até
Junho de 1938 apenas dois candidatos tinham conseguido esse Brevet B).






 Em 10 de Outubro de 1940, é aprovado por Salazar a entrega de distintivos de planadores à Mocidade Portuguesa, conforme atesta o Diário da República de então.O modelo é exactamente igual ao Alemão,(Segelflieger-Abzeichen) apenas com a diferença, que o modelo Nacional, tinha a letra "P", (de pairador), enquanto no modelo Alemão a letra não existia.


                                  Modelo Alemão (esq),Modelo Mocidade Portuguesa (dir)





                                       MODELO ITALIANO INICIO ANOS 30 (creio que o Alemão, foi cópia do Modelo Italiano).O modelo espanhol também era muito parecido ao nosso, segundo fui informado.
(foto "My Militaria")



                                 DIÁRIO DA REPÚBLICA DE 10 OUTUBRO DE 1940


Durante os anos da guerra, foram alguns grupos da MP, que se deslocaram à Alemanha para formação de voo sem motor.
Em 1943 regressa da sua formação em voo sem motor na Alemanha um outro grupo de
portugueses, o alferes Belmarço, Ildo Queiroz e,o famoso Galvão de Melo, que, muito
impressionado pela experiência, irá fazer uma propaganda entusiasmada do voo à vela,
defendendo a necessidade de estabelecer um aeródromo para a sua prática e o seu grande
interesse para a aeronáutica militar.
Simão Aranha, ex Viriato do Ar desde 1941, iniciara a exploração de uma magnífica encosta, em
Santa Íria da Azoia. Em Março de 1945 o Capitão Quintino da Costa e Simão Aranha
reiniciam a pesquisa de locais nessa zona, para instalar uma nova Escola de Voo sem Motor da
Mocidade Portuguesa.
                           DISTINTIVO DE ALFINETE E DE "BOTÃO"-M.PORTUGUESA





                                                  MOCIDADE PORTUGUESA












PLANOS DE CONSTRUCÇÃO DE PLANADOR-PERTENCENTE A FILIADO DA MOCIDADE PORTUGUESA.

                                                                      
RECIPIENTE EM CARTÃO ONDE ESTAVAM OS PLANOS DE CONSTRUCÇÃO DO 
PLANADOR

                                                             
RARO DISTINTIVO DA MOCIDADE PORTUGUESA "INSTRUTOR"



Nasceu assim o Grupo Aero Explorador Escola de voo sem motor de Santa Iria de Azoia, que, entre 1946 e 1959 (quando o crescimento do Aeroporto e do seu crescente movimento, inviabilizam este local), funcionou primeiro em Manjões (com alojamentos e Hangar), com interrupções de actividade a partir de 1950, e depois numa nova e famigerada escola no vale.
Em 1952 iniciara-se um malfadado projecto: as novas instalações da Escola de voo sem motor na Granja de Alpiatre-Concelho de Loures (perto do actual M.A.R.L), onde foi feito de raiz, um novo e vasto Hangar com 1100m, prevendo-se duas pistas adajacentes em terra batida.






                                                  INSTALAÇÕES JUNTO AO M.A.R.L




 Fontes: Air Lomba net
              Alemães em Portugal (1939-1945)
              Viriatos Militaria














1 comentário:

  1. O seu texto plagia extensivamente o meu artigo "José Aguiar, 100 anos de voo à vela em Portugal: Alguns metros, poucos segundos, primeiros quilómetros! Em: Revista do Ar, nº 618. Lisboa: AeCP, 2009, ou o refere e cita, apontando em itálico as frases que inteiramente copiou, ou está a cometer um crime. Cumprimentos.

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