domingo, 31 de maio de 2020

2ªGM- "BUSTINA" DIVISIONE BRESCIA"-20º REGIMENTO DE INFANTARIA



                                                                            
        BUSTINA COLONIAL "DIVISIONE BRESCIA" 20º REGIMENTO INFANTARIA




É talvez uma das peças que mais aprecio da minha colecção, pois o Regimento de Infantaria nº20, pertencia à Divisão Brescia, que combateu toda a Segunda Guerra Mundial no Norte de África, teatro de guerra. onde também combateu o meu avô Italiano. Talvez por isso, uma peça com um significado muito especial para mim.

De facto não é nada fácil encontrar peças que estiveram no Norte de África, quer da parte alemã do Afrikakorps, quer do "Regio Esercito Italiano". Tudo, ou quase tudo foi destruído quando da rendição  na Tunísia em Maio de 1943, e muitas delas perderam-se pelos diversos campos de prisioneiros. Poucas peças sobreviveram. 
Curiosa esta peça- "bustina"(bivaque em Português) pois apresenta sinais de uso, logo não em estado "novo" como muitas peças se apresentam, peças estas que proveem dos antigos depósitos, e que nunca chegaram ver a frente do Norte de Africa.
Esta certamente viu o Norte de África e daí ser uma peça quase única. Pertenceu a algum prisioneiro? Foi oferecida a algum Oficial Alemão do Afrikakorps? ( a peça foi adquirida na Alemanha)...



                                                              MAPA DA LÍBIA

DIVISÃO DE INFANTARIA BRESCIA

Foi constituída no dia 24 de Maio de 1939, poucos dias antes da entrada em guerra por parte da Itália. ( 10 de Junho de 1940)

No início do conflito em Junho de 1940, a Divisão Brescia é colocada na fronteira entre a Líbia e a Tunisia, na zona de Zauia, onde se chegaram a enfrentar contra alguns irregulares Tunisinos. Depois do armistício da França, a Divisão Brescia assume a defesa costeira da zona a ocidente de Tripoli.

Em 1941 entre o dia 25 e o dia 29 de Janeiro, a maior parte das unidades de Artilharia da Divisão participam nos combates na defesa da linha Derna-Mechili, e face aos ataques Ingleses são obrigados a retirarem-se para Barce e Bengazi.( ver mapa em cima).
No dia 5 de Fevereiro, são cercados pelos Ingleses a norte de Agedabia




BRITISH PATHÉ-PROPAGANDA INGLESA

Face ao desastre Italiano, e a iminente perda da Líbia, Mussolini pede ajuda a Hitler que envia o célebre Afrikakorps de Rommel, que chegam a Tripoli, no dia 21 de Fevereiro de 1941, e imediatamente enviados para a frente de guerra.
Nos primeiros dias de Março o que restava da Divisão Brescia é enviada para a zona de El Agheila, na frente de guerra. Passam à ofensiva juntamente com os alemães do Afrikakorps, e no dia 2 de Abril tomam Agedabia.
No dia 12 de Abril a Divisão Brescia acerca-se de Tobruk, e durante os 8 meses de assédio tentam conquistar Tobruk, mas sem êxito.
No dia 18 de Novembro, os Ingleses vindos do Egipto, contra atacam, na tentativa de tirar a pressão sobre Tobruk. A Divisão Brescia é obrigada a retirar no dia de 10 de Dezembro para  Ain el Gazala, e a 22 chega a Agedabia.

BUSTINA COLONIAL INSIGNIA DE TENENTE CORONEL



                                   

                                                                          

Em Abril de 1942, a Divisão é enviada a oriente para El Mechili








                                                                            
                                                                                  


Depois da rendição Inglesa de Tobruk, a Divisão Brescia segue junto ao litoral em direcção à fronteira Egípcia, onde alcança Sollum, Sidi Barrani e por fim Marsa Matruk. Ultrapassados este obstáculos segue em direção a El Alamein, onde depois de duríssimos combates com os Ingleses, vai-se "entrincheirar" em final de Julho de 1942, ao Sul de El Alamein ( ver mapa em baixo).

                           BATALHA DE EL ALAMEIN -DISPOSIÇÃO DE FORÇAS

Nos meses seguintes a iniciativa passa ao adversário.
A 23 de Outubro inicia-se a ofensiva Inglesa e face a forças imensamente superiores os Italianos e Alemães, nada podiam fazer. Depois de perdas enormes retiram-se, e os Ingleses iniciam a perseguição a Rommel, que só terminará na Tunisia, em Maio de 1943.
Daquilo que resta da divisão Brescia, face à impossibilidade de resistir aos ataques Ingleses, retira-se a pé (!!) sob condições duríssimas, e no dia 7 de Novembro de 1942, são cercados e rendem-se aos Ingleses perto de Fuka.
A divisão deixa de existir no dia 25 de Novembro de 1942, devido aos eventos bélicos acima expostos.

Em conclusão podemos dizer que esta divisão Italiana ( Brescia- 20º regimento de Infantaria) participou nas principais batalhas do Norte de África, sofrendo perdas enormes e praticamente deixando de existir, com a Batalha de El Alamein. Consta que alguns sobreviventes desta divisão, combateram até à rendição final na Tunísia em Maio de 1943.

ROMMEL ON THE RUN





Composição da 27ª Divisão de Infantaria "Brescia"

1940
19° Rgt. fanteria "Brescia"
20° Rgt. fanteria "Brescia"
55° Rgt. artiglieria
    2 Gr. art. da 75/27
1 Gr. art. contraerea
    2 Btr. art. contraerea da 20 mm
27° Btg. misto Genio
34a Sez. Sanità
    35a Unità chirurgica
    95° Ospedale da campo
34a Sez. Sussistenza
328a Autosezione
127a Sez. CC.RR.
96° Ufficio Posta Militare

1/4/1941
Stato Maggiore
Quartier Generale
   127a sez. mista CC.RR.
   96° Ufficio Postale con nucleo CC. RR.
19° Rgt. fanteria "Brescia"
   I Btg.
   II Btg.
   III Btg. (meno cp. a.a.), al XX C.d'A. (cinta fortificata)
   Cp. mortai da 81 mm
   34a btr. da 65/17 "Livorno"
20° Rgt. fanteria "Brescia"
   I Btg.
   II Btg. (meno cp. a.a.), al XX C.d'A.
   III Btg.
   Cp. mortai da 81 mm
   38a btr. da 65/17 "Ravenna"
5a Cp. cannoni da 47/32
71a Cp. cannoni da 47/32
227a Cp. cannoni da 47/32
1° Rgt. artiglieria celere "Principe Eugenio di Savoia"
   I Gr. art. da 75/27-11 (2 btr.)
   II Gr. art. da 75/27-11 (2 btr.)
      7a btr. da 20 mm
      8a btr. da 20 mm
      502a btr. da 20 mm
XXVII Btg. Complementi, al XX C.d'A. (cinta fortificata)
34a Sez. Sanità
    35a Unità chirurgica
    95° Ospedale da campo
34a Sez. Sussistenza
328a Autosezione mista
Elementi di rinforzo:
a) avuto dal X C.d'A.:
   XV Gr. da 105/28 del 16° Rgt. Art. (3 btr.)
b) temporaneamente:
   102a Cp. da 47/32 della Div. "Trento"

1/11/1941
Comando di divisione:
Stato Maggiore
Quartier Generale
   Reparto Comando
   127a sez. mista CC.RR.
   1 autodrappello
   96° Ufficio Postale
Comando fanteria divisionale:
1 Cp. motociclisti (quadro)
19° Rgt. fanteria "Brescia"
   Comando
   Cp. comando
   I Btg. (su 3 Cp. fucilieri e 1 Cp. armi acc.to)
   II Btg. (su 3 Cp. fucilieri e 1 Cp. armi acc.to)
   III Btg. (su 3 Cp. fucilieri e 1 Cp. armi acc.to)
   1 Cp. mortai da 81 mm
   34a btr. da 65/17 "Livorno"
20° Rgt. fanteria "Brescia"
   Comando
   Cp. comando
   I Btg. (su 3 Cp. fucilieri e 1 Cp. armi acc.to)
   II Btg. (su 3 Cp. fucilieri e 1 Cp. armi acc.to)
   III Btg. (su 3 Cp. fucilieri e 1 Cp. armi acc.to)
   1 Cp. mortai da 81 mm
   38a btr. da 65/17 "Ravenna"
5a Cp. cannoni da 47/32
71a Cp. cannoni da 47/32
227a Cp. cannoni da 47/32
1° Rgt. artiglieria celere "Principe Eugenio di Savoia" (non in organico)
   I Gr. art. da 100/17 (su 2 btr., 1 mancante)
   II Gr. art. da 100/17 (su 3 btr.)
   III Gr. art. da 75/27-11 (su 2 btr., 1 con il solo personale)
   IV Gr. art. da 75/27-11 (su 2 btr., 1 con il solo personale)
   Reparto munizioni e viveri (meno 1 sez. da 100/17)
   1 btr. da 20 mm
   1 Cp. cannoni da 47/32
XXVII Btg. misto Genio
XXVII Btg. mitraglieri divisionale (mancante)
34a Sez. Sanità
   95° Ospedale da campo
   ?? Ospedale da campo
   ?? Ospedale da campo
34a Sez. Sussistenza
   1 squadra panettieri
328a Autosezione mista
XXVII Btg. Complementi
Elementi di rinforzo:
2 Cp. da 47/32 (5a e 71a btr.)
1 Cp. carri L 3 (del IV Btg. carri L)
2 btr. da 20/35 (404a e 502a btr.)
3 Pl. mitr. (armi di recupero)
Reparto autonomo 47/32 su 2 pezzi (armi di recupero)
2 Pl. pezzi da 37/45 (armi di recupero)
4 Pl. pezzi da 37/45 (armi di recupero)

5/1942
19° Rgt. fanteria "Brescia"
20° Rgt. fanteria "Brescia"
1° Rgt Articelere "Principe Eugenio di Savoia"
   2 Gr. art 100/17
   2 Gr. art da 75/27
   1 Gr. art da 88/56
1 Btg. art. contraerea
    401a Btr. art. contraerea da 20 mm
    404a Btr. art. contraerea da 20 mm
27° Btg. misto Genio
34a Sez. Sanità
    35a Unità chirurgica
    95° Ospedale da campo
34a Sez. Sussistenza
328a Autosezione
127a Sez. CC.RR.
96° Ufficio Posta Militare

23/10/1942
Comando
Quartier Generale
   Reparto comando
   127a sez, CC.RR.
   8a squadra pilotaggio per zone desertiche
   96° Ufficio Postale
   96° nucleo CC.RR. per ufficio postale
19° Rgt. fanteria "Brescia"
   Comando
   Cp. mortai da 81 mm
   I Btg. A.S. 42
   II Btg. A.S. 42
20° Rgt. fanteria "Brescia"
   Comando
   Cp. mortai da 81 mm
   I Btg. A.S. 42
   II Btg. A.S. 42
   III Btg. A.S. 42
1° Rgt. Articelere "Principe Eugenio di Savoia"
   Comando
   I Gr. art 100/17 mod. 14
   III Gr. art da 75/27 mod. 06
   IV Gr. art. da 75/27 mod. 06
   V Gr. art da 88/56 c.a. e c.c.
   401a btr. da 20 mm
   404a btr. da 20 mm
XXVII Btg. misto Genio
   Comando
   82a Cp. artieri
   27a Cp. collegamenti
34a Sez. Sanità
34a Sez. Sussistenza
328a Autosezione

Campagne di guerra (1939-1942)
Data
Gr. d'Armata
Armata
C.d'A
Area di operazioni
1940-42   Africa Settentrionale

Comandanti (1939-1942)
Gen. D.Giuseppe Cremascoli 1939-1/3/41
Gen. D. Bortolo Zambon 2/3/41-10/10/41
supplente Gen. Gioda
Gen. B. Giacomo Lombardi 1/1/42-20/7/42
Gen. Dino Parri al 8/9/42
Gen. Alessandro Predieri al 13/10/42
Gen. D. Brunetto Brunetti al 5/11/42
nel 1942 (indef.) anche il gen. Giovanni Battista Oxilia

Sede
Catanzaro

FONTES: REGIO ESERCITO ITALIANO
              VIRIATOS MILITARIA E COLECCIONISMO
              OSPREY PUBLISHING

domingo, 17 de maio de 2020

DIVISÃO AZUL- DISTINTIVO AGRUPAMENTO DE CANHÕES ANTI CARRO




VOLUNTÁRIO DA DIVISION AZUL

Este Distintivo foi utilizado pela Divisão Azul, e tinha o nome de "Distintivo de la Agrupación de Cañones Antitanques".
Apresento-vos hoje este distintivo, raro e que me chegou da Alemanha.
Pensa-se que este distintivo tenha sido criado durante a Guerra Civil Espanhola, em 1937, ano em que se cria no Exército Nacional  o "Agrupamento de Canhões Anti Tank".
Este distintivo é de clara inspiração Alemã, e muito parecido ao distintivo Panzer da Legião Condor.( ver foto em baixo)
É de crer que  tenha sido um distintivo genérico desta unidade/agrupamento e como tal distribuído a todos os elementos desta unidade, incluindo aos seus instrutores alemães.( Grupo Imker).
Não seria pois um distintivo conferido por méritos de guerra.


Alemão da "Legion Condor", onde é claramente visível o distintivo Panzer


O distintivo apresenta-se de forma oval com 60mm x 50mm e tem além da caveira e das tíbias cruzadas, um canhão alemão anti carro de 37mm Pak 35/36


                                                                                


                           VOLUNTÁRIO ESPANHOL-DIVISÃO AZUL COM DISTINTIVO

    Imagens inéditas do Agrupamento Anti Carro onde se vê um instrutor alemão da Legion Condor.




FOTO DIVISÃO AZUL GRUPO ANTI CARRO

Não é pois um distintivo específico da Divisão Azul, mas foi utilizado pelos Divisionários de forma considerável, conforme se pode comprovar por algumas fotos da época.


Fontes:

-Viriatos Militaria
-Condecoraciones Y Distintivos de la Division Azul -António Prieto Rubio e Manuel Perez Rubio


domingo, 16 de fevereiro de 2020

ESTALINEGRADO PLACAS DE IDENTIFICAÇÃO

Olá Boa Noite,

Depois de quase um um ano sem publicar nada no blogue, estou novamente de volta com a publicação de 2 peças curiosas, acabadas de chegar da cidade de Volgogrado ( Ex Estalinegrado).
Tenho lá um contacto de confiança, que de vez em quando me envia algumas peças,
Estas peças têm de facto outro "sabor", pois viram a batalha, estiveram lá.
Tratam-se de 2 chapas de identificação de 2 soldados alemães, encontradas na bolsa de Estalinegrado.
Imagine-se que, antes da Perestroika, por estes campos de batalha era frequente encontrar  a olho nu, artefactos da batalha, incluindo ossadas dos infelizes soldados que por lá ficaram, sejam Russos ou Alemães.
Depois da queda da URSS, por toda a ex URSS onde se deram as batalhas da 2ªGM, centenas de cidadãos russos iniciaram a procura de objectos, de forma a encontrarem tudo o que tivesse a ver com este período, tornando-se fonte de rendimento para muita gente.
Iniciaram assim a venda de objectos essencialmente para a Europa e para os EUA.
Daquilo que o meu amigo Mikhail ( o meu contacto Russo) me conta, hoje, é cada vez mais difícil de encontrar objectos, pois o solo foi  explorado até à exaustão.



Estas placas de identificação ( ERKENNUNGSMARKEN) eram usadas ao pescoço dos soldados, e serviam para em caso de morte, saberem identificar o corpo.
Não significa, contudo que estas placas tenham sido encontradas junto a ossadas de soldados alemães.
No final, mais precisamente entre Dezembro de 1942 e Final de Janeiro de 1943, com a confusão da derrota, e com a desagregação total do 6º exército alemão, muito material se perdeu.

Estas placas que coloco hoje são:

-STAB II/JR 535
-10/AR 169

Como se podem ler estas placas? Não é tarefa nada fácil, contudo com a ajuda de um site em alemão, consegue-se de certa maneira saber a que divisões/regimentos pertenceram. No link em baixo podem aceder a muita informação sobre a história das diversas armas do Exército Alemão.

http://www.lexikon-der-wehrmacht.de/inhaltsverzeichnis1.htm


                                                    10/AR 169 ( FRENTE E VERSO)


Lendo a placa de identificação, verifica-se que "AR"-"Artillerie Regiment" com o nº169.

De acordo com o Lexicon, sabe-se que este regimento de Artilharia no dia 30 de Janeiro de 1940 , as suas 2ª e  10ª baterias foram incorporadas na Divisão de Infantaria nº295, divisão essa aniquilada em Estalinegrado.
Ver link em baixo.

http://www.lexikon-der-wehrmacht.de/Gliederungen/ArtReg/Gliederung.htm






                                           STAB 2 INF REG 535 ( FRENTE E VERSO)

 Consultando esta placa verifica-se que pertencia ao "JR" -Infanterie Regiment com o nº 535.
Mais uma vez, consultando o lexicon der Wehrmacht, chega-se facilmente à conclusão de que a pertenceu à 384ª Divisão de Infantaria, desaparecida em Estalinegrado.
No verso da placa, verifica-se que o grupo sanguíneo, é o "O".
Nem todas as placas de identificação apresentavam o grupo sanguíneo.

Ver link em baixo:
http://www.lexikon-der-wehrmacht.de/Gliederungen/Infanteriedivisionen/384ID.htm


O preço de mercado de cada uma destas placas andará à volta entre os 40-45 Eur.


                               MOTOS ALEMÃS ABANDONADAS EM ESTALINEGRADO




domingo, 31 de março de 2019

REXISMO: DISTINTIVO DE HONRA REXISTA



LEON DEGRELLE


                                       
LEON DEGRÉLLE- O CARISMÁTICO CHEFE DO REXISMO
(PROPAGANDA ALEMÃ EM PORTUGUÊS)

                                  
                                   VOLUNTÁRIOS BELGAS NA FRENTE LESTE

         DISTINTIVO DE HONRA REXISTA GRAU PRATA- "BRAVOURE-HONEUR-FIDELITE"
                                          ( COLECÇÃO VIRIATOS MILITARIA)

REVERSO DISTINTIVO REXISTA SEM FECHO
(COLECÇÃO VIRIATOS MILITARIA)

Celebra-se hoje o 25º aniversário da morte do chefe Rexista, Leon Degrélle,( 15 de Junho de 1906-31 de Março de 1994), e por isso lembrei-me de colocar o Distintivo de Honra Rexista, que tenho em colecção, adquirido há 15 dias, na Alemanha.
Deve ser o único exemplar original presente em Portugal.Pena que já não tenha o fecho, contudo mesmo assim é um distintivo de rara beleza.

Este distintivo também era conhecido como "Distintivo do Sangue" e foi instituído em 1941.
Em Novembro de 1944, Heinrich Himmler, chefe das SS autorizou que os voluntários na Divisão Waffen SS "Wallonie" os pudessem utilizar nos seus uniformes.

Existiam 4 tipos:

- Grau Bronze ( estes eram numerados)
-Grau Prata
-Grau Ouro
-Grau Ouro com Diamantes

O grau Bronze era conferido aos membros Belgas do Partido Rexista, voluntários no exército alemão, na Cruzada contra o Bolchevismo.
O grau prata, por sua vez, era conferido por bons serviços ao Partido Rexista. Na maior parte dos casos o grau prata foi conferido aos alemães que combateram com a Divisão SS Wallonie.
O grau Ouro, e Grau Ouro com diamantes era destinado a altas individualidades.

FOTO PK/OKW PROPAGANDA ALEMÃ EM PORTUGUÊS 
(COLECÇÃO VIRIATOS MILITARIA)



                                                         PROPAGANDA ALEMÃ 1944 


GRAU BRONZE


HINO REXISMO




















                                                       GRAU BRONZE REVERSO


-VIRIATOS MILITARIA MAGAZINE
-WEHRMACHT AWARDS FORUM
-REVISTA "THE MILITARY ADVISOR"

domingo, 24 de fevereiro de 2019

FASCISMO : FASCIO ITALIANO DI LISBONA

               CARTA FASCIO ITALIANO DE LISBOA ( COLECÇÃO VIRIATOS MILITARIA)

Coloco hoje uma carta interessantíssima e muito rara, do "Fascio Italiano de Lisbona", datada de 14 de Abril de 1943.

O "Fascio Italiano de Lisbona", aliás como todas as secções/sedes dos Fascios, por esse mundo fora, tinham sempre associados um nome de um mártir Fascista, ou Nacionalista, caído em nome da Revolução Fascista, ou em nome da Itália. O Fascio de Lisbona, dependia directamente de Roma e dos "Fasci Italiani all'Estero"
No caso Português foi-lhe atríbuido o nome de Fulciere Paulucci de Calboli,

Pauluci de Calboli, filho de diplomata Italiano, nasceu em Forlí, em 1893, e faleceu na Suiça no dia 28 de Fevereiro de 1919.
Foi um Militar Italiano, voluntário durante a 1ªGM. Ferido em 1917, na batalha de Caporetto, ferida essa que lhe provocou invalidez de guerra. Apesar da invalidez de guerra ( não podia andar) teve um papel importante na acção de propaganda em todo o Norte de Itália, apelando na fase final da guerra, à resistência. Em Março de 1918, enquanto estava no Hospital em Genova, contrai uma doença de pele- a "Erisipela", na altura incurável. Inicia assim o seu declínio físico, e morre com apenas 26 anos, no dia 28 de Fevereiro de 1919, no sanatório de Gstaad, na Suiça.

                                                         PAULUCCI DE CALBOLI


Quanto à carta em si, datada de 10 de Abril de 1943, a mesma faz referência à troca de prisioneiros Italianos, que se viria a realizar em Lisboa, no Cais de Alcântara, no dia 18 de Abril de 1943, e que foi notícia na imprensa Portuguesa. ( Século Ilustrado de 24 de Abril de 1943)
Tratou-se de uma troca de 409 Militares Italianos, com prisioneiros Ingleses, na sua grande maioria doentes, ou vitimas de ferimentos graves.
A carta apela à mobilização da comunidade Italiana de então, e convoca reunião para o dia 12 de Abril de 1943, com a presença do "Console Generale" que era o Chefe Fascista da Casa de Itália, para dar a conhecer os preparativos, de forma a poderem receber o melhor possível, os prisioneiros, vindos do Norte de África ( Egipto, Líbia e Tunisia), e que tinham combatido ao lado das tropas alemãs do Afrika Korps, do então célebre General Rommel.
A carta é assinada pela chefe do Fascio Feminino ( Fascio Femminile) da casa de Itália, a Condessa de Nigra. ( G.Nigra)
A Condessa de Nigra,  a Srª Dona Guilhermina de Mendonça ( 1904- ????) é casada com o Conde de Nigra, Carlo Luigi Nigra (Torino, 1900-Lisboa 1973), daí ter herdado o título.
Seria interessante fazer um estudo mais aprofundado sobre esta Senhora Portuguesa, Guilhermina de Mendonça.

Tendo em conta a data, Abril de 1943, e com a caída do Fascismo Italiano 3 meses depois, em Julho de 1943, este acto deve ter sido talvez um dos últimos, senão mesmo o último acto oficial realizado pela casa de Itália, em Lisboa.
No período que se segue, e com a constituição da República de Saló em Setembro de 1943, e pelo facto de o Governo de Salazar não ter reconhecido a nova Republica Fascista, constituída no Norte de Itália,  e com a derrota iminente do Eixo, a casa de Itália praticamente deixou de realizar qualquer acto.

Eu próprio desloquei-me ao Instituto Italiano, para saber se me davam mais alguma informação, chegando mesmo a enviar um e-mail à responsável, mas até à data nada me disseram, Fiquei assim com má impressão deste Instituto. Pelo menos uma resposta ao e-mail deveria ter tido, mesmo que fosse negativa. Era o mínimo exigível.

Sobre as relações entre Portugal e Nacional Socialismo Alemão, já existe muita coisa escrita, contudo sobre as relações entre o Estado Novo e a Itália Fascista, pouco existe. Apenas algumas referências são feitas, mas nada de profundo. Seria uma matéria interessante ainda por explorar.



     PRISIONEIROS ITALIANOS DESEMBARCAM NO CAIS DE ALCÂNTARA ( Foto Século Ilustrado 24/04/1943






                                         FEZ PARTITO NAZIONALE FASCISTA


INSTITUTO ITALIANO -HISTÓRIA

A história do Istituto Italiano de Cultura, instituído em 1936 no palacete da Rua do Salitre e propriedade da Casa de Itália, está estreitamente ligada à condição política daquele período.
A função primária do Instituto era efectivamente a de acompanhar as directivas da conhecida Accademia Reale, órgão de cultura do governo fascista onde pertenciam muitos dos intelectuais e escritores da época como L. Pirandello, G. D’Anunzio, F. T. Marinetti.
O primeiro curso de Língua e Literatura Italiana realizado no Instituto foi ministrado pelo Prof. Giuseppe Valentini, professor da Faculdade de Letras de Lisboa. Por ocasião da inauguração da nova sede, Alessandro Pavolini (futuro ministro da cultura popular em 1939, e assassinado em Dongo, 28 de Abril de 1945) apresentou duas conferências: uma sobre a organização corporativa italiana e outra sobre a arte fascista.


                                         ALESSANDRO PAVOLINI ( 1903-1945)

Neste ano chave do Estado Novo Português, o Instituto de Cultura Italiana colaborou por aproximação ideológica dos dois regimes através de toda uma série de encontros e de conferências sobre a cultura, o sistema judicial e as relações históricas entre Itália e Portugal, organizadas pelo então Director Aldo Bizzarri.

Em 1941, Bizzarri é substituído por Gino Saviotti, fundador do Teatro-Estúdio do Salitre, companhia precursora dos grupos de teatro experimental em Portugal até 1950. No micro-teatro, ainda hoje existente no segundo andar do edifício, foram representadas, com realização do próprio Saviotti e de Vasco de Mendonça Alves, várias pieces teatrais “essencialistas” de vários autores portugueses e italianos como Gil Vicente, Carlo Gozzi, Vittorio Alfieri, Carlos Montanha, José de Almada Negreiros, Luiz Francisco Rebello.

Saviotti, homem de teatro, teve a difícil tarefa de gerir o Instituto de um país em guerra no contexto da declarada neutralidade portuguesa.

A delegação italiana na Exposição do Mundo Português (Junho de 1940) foi a última representação oficial do regime fascista em Portugal.

Os Directores deste Instituto e durante o período Fascista foram:

-Guido Valenti ( 1927-1933)
- Giuseppe Valenti ( 1933-1936)
- Aldo Bizzarri ( 1933-1936)- com Luigi Federzoni como Presidente entre 1940-1943
-Gino Saviotti ( 1941-1950)

                                           LUIGI FEDERZONI ( 1878-1967)



                  INSTITUTO ITALIANO DE CULTURA LISBOA-RUA DO SALITRE 146 

Fontes:

-Viriatos Militaria 
-Instituto Italiano de Cultura
-Wikipedia
          

quinta-feira, 27 de dezembro de 2018