domingo, 23 de fevereiro de 2014

MOCIDADE PORTUGUESA-ACAMPAMENTO INTERNACIONAL INFANTE D.HENRIQUE





 
 


O 1.º Acampamento Internacional Infante D. Henrique achava-se instalado no Vale do Jamor, em Caxias, ao lado do Estádio Nacional.
De alguns sítios admiravam-se paisagens maravilhosas sobre o Tejo. O local era belo, cheio de árvores frondosas e largas ruas que o tornavam apropriado para o fim para que foi utilizado.
A organização do Acampamento era modelar.
A Direcção dividia-se em Serviços gerais e Sectores; os vários serviços gerais eram:
Alimentação – Nesta, usou-se pela primeira vez o sistema do auto-serviço, em que se utilizou, em vez de prato e talheres separados, um tabuleiro com cavidades destinadas aos alimentos, copo, talheres, pão e fruta. Cada refeição era acompanhada de uma pequena garrafa de sumos.
Havia diariamente quatro espécies de ementas à escolha dos filiados, cada qual em seu posto de distribuição, numerado, sendo a refeição escolhida, na véspera, por cada filiado, que se munia da respectiva senha de requisição de alimento.
Na parte do refeitório, havia uma grande tenda com a instalação da Cantina, onde se poderia encontrar tudo o que se desejasse e quisesse.

                   DISTINTIVO DO ACAMPAMENTO CONCEDIDO AOS PARTICIPANTES


Arquitectura e decoração – Estes serviços delinearam a disposição do Acampamento, dando-lhe assim bom aspecto e forma pitoresca.
 
Assistência moral e religiosa – Sob este aspecto, constavam no programa um serviço de missas matinais desde as 7 às 8,30 horas. Além disto, havia serviço de confissões dentro de certas horas e, ao Domingo, além das missas já mencionadas, havia missa campal às 11 horas.
Comunicações – Asseguravam estas não só a recepção e expedição de toda a correspondência do Acampamento, mas também forneciam selos do correio, postais, cartas, etc., permitindo ainda o serviço telefónico interno, externo e até internacional; a distribuição da correspondência destinada aos filiados era também assegurada por estes serviços.

                           GALHARDETE ALUSIVO AO ACAMPAMENTO

Culturais – Este serviço promoveu exposições de trabalhos de alguns filiados presentes, a quem, antes do encerramento desta realização, foram atribuídos prémios significativos. Editava, ainda, jornais de árvore feitos por alguns membros do Acampamento. Era ainda da iniciativa deste serviço a «Chama da Mocidade», que, a partir do dia 7 de Agosto, se realizava todas as noites.
A «Chama» obedecia a um programa-tipo que compreendia: abertura, canto coral, folclore regional, parte recreativa, actualidades do dia em jornal filmado, teatro, oração e encerramento.

Deste modo, após ser entoado pelos circunstantes o Hino da Mocidade, assistia-se a marchas e canções regionais portuguesas e estrangeiras, exibindo-se vários grupos em números do folclore do seu país. No jornal filmado podia assistir-se aos factos principais do dia, e, seguidamente, uma peça teatral de pequena duração frisava factos respeitantes à vida e acção do Infante D. Henrique nos Descobrimentos. Após a recitação de algumas orações pelo Assistente Nacional da M. P., terminava a «Chama» com a audição dos hinos dos vários países representados.

                               BONÉ DA MOCIDADE PORTUGUESA





Imprensa, rádio e televisão – Deste serviço saía todas as manhãs o jornal do Acampamento, assim como, diariamente, eram expedidos os mesmos para casa das famílias dos filiados. Constituiu este jornal uma série de 12 números pelos quais as famílias dos rapazes ficavam conhecendo os actos mais importantes realizados no Jamor.
A Rádio começava cedo o seu serviço com um programa de boa disposição e notícias matinais. À noite funcionavam 3 postos de televisão, dos quais 2 se encontravam à disposição dos rapazes acampados.
Informações – O serviço de informações esclarecia todas as dúvidas àqueles que disso carecessem, quer fossem participantes, quer visitantes.
Intérpretes – Este serviço assegurava todo o contacto necessário com os estrangeiros, em espanhol, francês, italiano, alemão e inglês.
Material – Assegurava o fornecimento do material preciso a qualquer trabalho; garantia ainda um serviço de lavandaria dentro de determinado horário.
Obras – Tinha por fim executar a montagem e desmontagem do acampamento e assegurava a continuidade das instalações.
Protocolo – Estavam estes encarregados da condução de todas as cerimónias referentes às festividades e programa do Acampamento de modo a imprimir-lhes dignidade e simplicidade convenientes a tais actos e manifestações juvenis.
Saúde – Instalados em óptimas condições, como convinha, atendendo aos fins visados pelos mesmos, garantiam assistência médica permanente, contando até com serviços de raios X e cirurgia. Também fazia parte deste serviço a ginástica matinal facultativa, orientada por um categorizado professor.
Secretaria – Estes serviços tinham a seu cargo a coordenação e execução do expediente relativo aos já anteriormente descritos.
Transportes – Tinham o fim de regulamentar tudo quanto se referia a transportes dos filiados.
Vigilância – Tinham a seu cargo regular as saídas e entradas dos participantes no Acampamento.
O Acampamento achava-se dividido em 4 sectores pelos quais se achavam distribuídos os seus participantes.

BRAÇADEIRA, DISTINTIVO E GALHARDETE ALUSIVO AO ACAMPAMENTO
 
Para este Acampamento foram convidadas representações de vários países, tais como: Brasil, Paquistão, Japão, Inglaterra, Alemanha, França, Espanha, Estados Unidos; algumas organizações portuguesas, a saber: Fragata D. Fernando, Escuteiros de Portugal, Corpo Nacional de Escutas; representações da M. P., continentais, insulares e ultramarinas.
Amizade e camaradagem – No meio deste agrupamento de rapazes de tão diversas regiões e até nações pôde registar-se o facto, talvez inesperado, de que todos se davam admiravelmente,sem distinção de raças ou cores, privando todos como se amigos de largo tempo houvessem sido. Oxalá este exemplo frutificasse nas relações entre os povos.



O Acampamento, de que tenho vindo a falar, foi inaugurado pelas 10 horas do dia 6 de Agosto deste ano Henriquino por Sua Excelência o Ministro da Educação Nacional, Professor Leite Pinto.
Seguidamente, no Terreiro de S. Francisco Xavier, o Rev. Assistente Nacional da M. P. procedeu à bênção da «cidade de lona». Após esta cerimónia foi o Acampamento visitado por várias entidades oficiais presentes e pelo povo que a ela assistia. No dia seguinte teve lugar a visita de Sua Excelência o Senhor Presidente Américo Tomaz e do Senhor Cardeal Patriarca de Lisboa, juntamente com alguns membros do Governo, tendo sido recebidos com grande entusiasmo pelos rapazes participantes.
Além destes, visitaram o Acampamento o sr. Dr. Oliveira Salazar, apoteoticamente recebido pelos rapazes acampados, os Pioneiros de Angola e os Antigos Graduados da M. P., todos com maravilhosa recepção.
Este acampamento encerrou-se a 16 de Agosto após um desfile na Avenida da liberdade, em Lisboa, realizando-se à noite a tradicional «Chama da Mocidade», com que terminou.
 

terça-feira, 4 de fevereiro de 2014

NAZIS-DEZ MESES NA ALEMANHA EM GUERRA



...Perguntar-me-ão, os leitores do Blogue...mas que livro é este?.. Que posso eu dizer?...O título diz tudo...
Passo então a explicar....antes de mais importa referir de que foi mais uma "descoberta" que fiz hoje, num alfarrabista de Lisboa.
Sinceramente, e desculpem-me a ignorância, mas não conhecia este livro, nem o seu autor, mas ao ler algumas partes do livro, fiquei abismado com a escrita simples.
Um livro que nos conta a experiência deste jornalista Português (germanófilo, entenda-se, mas antes de tudo Português), que viveu na Alemanha durante 10 meses, desde Novembro de 1940, até ao Verão de 1941, quando as tropas germânicas, já se encontravam em plena Rússia.

Relata-nos a Alemanha de então, completamente ao contrário, do que estamos habituados a ver e a ouvir repetidamente nos dias de hoje.
De salientar que nessa altura, quando da estadia na Alemanha, Metzner o autor, a Alemanha vivia os seus tempos gloriosos da Guerra....onde a guerra parecia correr de feição aos alemães...

Aliás neste blogue, já publiquei aqui outro livro, que nos conta o relato da estadia de outro Português o Visconde do Porto da Cruz, com o título "Como vi o fim da Guerra na Alemanha".
http://viriatosmilitaria.blogspot.pt/2013/02/como-vi-o-fim-da-guerra-na-alemanha.HTML

Direi que o livro acima referido no link, se trata do "complemento", deste livro que hoje aqui divulgo.
Cada um, com as suas visões, uma a do ínicio da guerra, enquanto o outro relata-nos a tragédia do final da guerra. Ambos interessantes.


Passo a citar algumas passagens do Prefácio do livro de Metzner:

«Vivi dez meses na Alemanha em guerra como jornalista estrangeiro adido ao Ministério das Relações Exteriores do III Reich, em Berlim;"

«Este livro não é para intelectuais.Foi escrito sem preocupações literárias e para ser compreendido por toda a gente: operários, trabalhadores, assalariados e funcionários-que são, na pequenez, na sua modéstia e pelas suas qualidades, os reais obreiros do que há de perdurável e eterno no nosso Portugal"

« Mas o que pretendo não é, verdadeiramente escrever um livro antidemocrático"

« Cheguei a Berlim por uma tarde chuvosa dos primeiros dias do segundo Novembro da guerra»

« De tudo isto ressalta que os Portugueses de hoje, devem cuidar do futuro da sua Pátria, entrando em contacto directo com as realidades de hoje-e não estragando o sono sepulcral dos Gamas e dos Albuquerques»

«Agora ser bom Português, já não é descobrir rotas marítimas; é ter o bom senso necessário para guardar integralmente o que ainda nos resta da preciosa herança que recebemos»....

«Lisboa, Setembro de 1941»



 (TESE DE MESTRADO SOBRE A PROPAGANDA ALEMÃ-UNIVERSIDADE DE LISBOA)
 
Na sua obra Nazis: 10 meses na Alemanha em guerra, empreende um relato quase panegírico da sua viagem à Alemanha e à capital do III Reich, num tempo bastante difícil. A analogia que faz da figura do soldado marcial «[.] que parecia arrancada a uma estampa do «Signal» a um ser indestrutível, e, todo o cenário que descreve aquando da sua chegada ao aeroporto berlinense de Tempelhof, é elucidativa da consideração e admiração que nutre pelo regime Nazi. A enumeração que faz do aprazível lugar que é Berlim far-nos-ia crer que encontrava perante um sistema utópico não-terreno, com um urbanismo irrepreensível que coexiste em perfeita harmonia com povo, porta-estandarte de inúmeras virtudes. Apenas o surpreende as formalidades alfandegárias de que é acometido após o desembarque, onde se vê rodeado de impressos com inúmeras perguntas. Num dos impressos tivera que se descrever pormenorizadamente (estatura, cor do cabelo, cor dos olhos, etc.). A sua filiação também é necessária. É digno de nota o seu reparo às afirmações da propaganda inglesa em relação ao efeito das bombas largadas em Berlim . para o efeito, serve-se do exemplo da estação central dos caminhos-de-ferro: «Anhalter Banhof, a famosa estação central dos caminhos de ferro de Berlim, dada como totalmente destruída pelas bombas dos aviões britânicos . estavam ali, diante de mim, envolta nos últimos clarões de um triste poente outonal, sólida como um bloco de granito. E lembrei-me dos grandes títulos da Imprensa lisboeta, nessa manhã célebre em que mais de metade de Berlim foi arrasada. pelos telegramas de agências londrinas.». Metzner Leone só começa a sentir os efeitos práticos da guerra, quando é confrontado com a falta das necessárias senhas de racionamento. Mesmo assim, não hesita em descrever uma luxuriante refeição face ao que podia ser proporcionado num estado de guerra: «Eu tinha chegado a Berlim havia mais de uma semana . e não estava mais magro, nem mais fraco, nem abatido, apesar da «fome tremenda» ocasionada pelo racionamento que, ainda assim, me concedera nessa noite . lembro-me bem! . um caldo agradável, uma truta fresquíssima, e um assado magnífico de porco selvagem.». O render da guarda no monumento nacional alemão erigido em memória de todas as guerras em que a Alemanha participou, deixa-o deslumbrado . a postura dos soldados alemães:
 
«No último degrau da escadaria que conduz à entrada estavam perfilados, rígidos, hirtos como estátuas, dois soldados alemães. E esses dois homens que pareciam estar de guarda a um tesouro, firmes como se fossem talhados na mesma pedra do próprio edifício que guardavam, desprendiam de si uma impressão serena e profunda de força e confiança.». Não será despiciendo chamar a atenção para uma espécie de contradição em que entra o autor, nessa obra que supostamente elucidaria as mentes mais simples, pois não era uma obra destinada a intelectuais, dotando-os com uma visão meramente jornalística: «operários, trabalhadores, assalariados e funcionários que são, na sua pequenez, na sua modéstia e pelas suas qualidades, os reais obreiros do que há de perdurável e eterno no nosso Portugal. Foi para êles, para os que constituem a massa anónima na qual residem tôdas as energias, da que escrevi neste livro . que não é de política porque não ultrapassa os limites de uma reportagem, que não é da propaganda estrangeira porque é verdadeiramente sentido por um
português.».
 
O facto de a obra ser escrita num português acessível, pode deixar entrever uma certa vertente propagandística ao querer abranger um público alargado.
Ao lermos esta obra, assistimos a uma espécie de panegírico das virtudes, não dos alemães mas antes sim, dos ideais por que aqueles se norteiam, i.e., o ideal nazi.
Eduardo Metzner Leone consegue explicar quase todas as questões delicadas, levando a que a imagem idílica dos nazis saia imaculada, com argumentos que quase parecem lógicos. Aponta o dedo ao estafado Tratado de Versalhes como a
consequência óbvia para os acontecimentos que se lhe seguiram, como a Revolução Nazi. A Democracia, o mal de todos os males vê-se ameaçada por um ideal de vida que constata: «Em dada altura, depois de durante anos e anos ter negado a sua própria doutrina, a Democracia olhou para a Alemanha, e observou: «não há tuberculose sem assistência, não há sifilíticos, não há prostituição organizada, não há desempregados, não há famintos, não há analfabetos.» Então, atónita, a Democracia verificou: « ....logo, não há. Uma casta de sujeitos endinheirados que viva sem outras preocupações que as de gozar e de prosperar à custa da miséria material e moral dos analfabetos, dos famintos, dos desempregados, da prostituição, dos sifilíticos e dos tuberculosos»
 
Metzner Leon (1914-1986)
 
 
 
 
 
 
 
 
 

 



 



 


sábado, 1 de fevereiro de 2014

MOCIDADE PORTUGUESA: II MARCHA DE CAMARADAGEM








Mais uma boa compra, já que tive a sorte de encontrar este livro sobre a História da II Marcha da Mocidade Portuguesa. Um livro que vale a pena, para quem procura estudar esta época.
Lista dos Participantes, dos dirigentes, objectivos da Marcha, organização, itinerários,em suma, imensa informação sobre esta marcha.

Junto, ainda um lote de condecorações da Mocidade pertencente a um dos Participantes desta Marcha, neste caso Dirigente e sub-inspector dos Serviços Administrativos da mesma, bem como o respectivo relatório assinado pelo Delegado Provincial da Estremadura, Major Raul Pereira de Castro, e Director da Marcha.Este lote pertence ao colaborador deste blogue, e meu amigo Zé Marques.





A primeira Marcha, foi realizada em 1949, com a ocupação simbólica dos Castelos e lugares históricos de Portugal,tais como a Torre de Belém, Castelo de S.Jorge, Sesimbra, Palmela, Óbidos e Leiria.



                                                            (Colecção Zé Marques)
 
                                                             
                                                      





MEDALHA DE PARTICIPANTE NA II MARCHA
                                     MEDALHA DE PARTICIPANTE NA II MARCHA (REVERSO)

                                             LOTE DO DIRIGENTE DA MOCIDADE